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Não se conforme com a dor

Aquele antigo conselho "o melhor que você tem a fazer é se conformar com a dor", deve ser questionado. No Brasil assim como em todo o mundo, muitos profissionais da área de saúde vêm lutando para modificar essa idéia. Considerada recentemente como o 5° sinal vital, isto é, junto com a freqüência cardíaca, freqüência respiratória, pressão arterial e temperatura, a intensidade da dor também nos avisa de que algo está mal em nosso organismo. Fato é que a queixa de dor continua sendo desvalorizada e consequentemente mal tratada.

Felizmente a mentalidade de que a dor necessita de controle e alívio adequado vem ganhando numerosos adeptos. Hoje, a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor - SBED, é composta por centenas de integrantes. Apesar de serem conhecidos os graves problemas que a dor provoca, pesquisas atualizadas estimam que, no mínimo, 30% da população brasileira sofrem deste mal sem um tratamento eficaz. Este insucesso ocorre por muitas razões, porém, principalmente, devido à indefinição diagnóstica e ao desconhecimento de novas técnicas e de medicações analgésicas.

Como a dor pode se apresentar?

A dor aguda

A dor aguda ocorre, por exemplo, após uma cirurgia , traumatismo ou um problema dentário e é considerada normal dentro de determinados limites. Deve ser controlada de forma a permitir que o indivíduo ande no tempo recomendado, realize os exercícios indicados para a reabilitação, durma, se alimente e mantenha seus cuidados pessoais. Atualmente, essa preocupação integra a política de ação de várias instituições de saúde. O principal objetivo é contribuir para o tratamento dos pacientes em pós operatório imediato, reduzindo sua queixa de dor, tempo de internação, assim como assegurar a manutenção de sua melhora em casa.

A dor crônica

A dor crônica é a mais freqüente e de difícil tratamento. Diferente da dor aguda, que é passageira, sempre com uma causa específica e servindo de alarme, a dor crônica não apresenta finalidade útil ao organismo. Pode se manter por muito tempo, acompanhar uma doença já conhecida ou aparecer meses após a cura do problema inicial. É responsável por prejuízos financeiros incalculáveis a um país tanto devido à necessidade de afastamento do trabalho, como pela maior utilização dos seguros de saúde. Porém, o mais grave continua sendo a desorganização familiar e social que provoca.

A química da dor crônica.

Novos conhecimentos sobre as vias de condução da dor, desde a pele até o sistema nervoso central, mostram que muitas substâncias químicas analgésicas são produzidas pelo próprio organismo, na tentativa de reduzi-la. Algumas, como a serotonina, estão relacionadas também ao humor e à motivação. Se a dor é mantida por muito tempo, estas substâncias diminuem, levando à depressão, ao desânimo e, conseqüentemente, dificultando a reabilitação.

Um diagnóstico preciso é fundamental para o tratamento ideal

É importante procurar esclarecer os principais fatores que estão contribuindo para a permanência da dor e propor seu tratamento mais indicado. É seguro afirmar que 70% desses pacientes conseguem obter grande alívio . De acordo com a situação, podemos utilizar bloqueios nervosos; novas drogas analgésicas; terapias físicas como a acupuntura, utilização de frio ou calor, exercícios específicos; uso de medicações anti-depressivas; apoio psicológico; técnicas de relaxamento como meditação ou musicoterapia e, em algumas situações, a cirurgia.

O diálogo aberto entre paciente, médicos e familiares

A franqueza e o dialogo entre médico e paciente são fundamentais para desfazer alguns equívocos, vícios e crenças que só atrapalham. Por exemplo, esperar que a dor crônica se comporte como a dor aguda onde a combinação de alguns analgésicos freqüentemente traz rápido alívio, ou imaginar que se a dor for ignorada, desaparecera. Algumas pessoas desenvolvem sentimento de culpa como se a dor fosse uma punição. Nesses casos o incentivo a auto-estima é imprescindível . Atitudes a qual chamamos de ganhos secundários, isto é, a utilização da dor para receber mais atenção e carinho dos familiares ou se esquivar de seus deveres, devem ser pouco a pouco elaboradas.

É fundamental motivar o paciente a não desistir de seu tratamento, incentivando-o a realizar trabalhos em grupo, como a hidroginástica, caminhadas, dançar, exercícios de alongamento, musculação e outros. Como se vê, muito pode ser feito para combater a dor e o sofrimento. Sabemos que ainda é necessário avançar mais. Entretanto, o importante é que já existem muitos médicos e terapeutas dispostos a entrar nesta briga, para vencer.